Ter alguém

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


Odeio a melancolia das madrugadas. Pensamentos soltos. Ninguém pra conversar, ninguém para abraçar, ninguém para chamar de meu. Carência, pode ser o sentimento carro-chefe para me fazer  escrever esse texto. Alguns dias mais  que outros, como hoje,  senti falta de ter alguém para dividir a cama, falta de sentir o lençol sendo puxado e logo em seguida uma mão me trazendo para mais perto do outro corpo ...

Talvez eu sinta falta de ter uma pessoa, que quando eu acorde eu veja que o lado esquerdo da minha cama esteja ocupado por aquele alguém que faz o meu coração dísparar. Falta de ver no banheiro uma escova de dente dividindo espaço com a minha, falta de ter alguém que aguente assistir o meu filme favorito mil vezes junto comigo e me escute falar , sem enjoar, quais são minhas partes favoritas.

 Talvez seja somente vontade de ter alguem com quem tomar um chocolate quente num fim de tarde num domingo de inverno, de olhar fotos e relembrar como foi nosso primeiro encontro !

Talvez essas vontades sejam só sintomas que a TPM traz , que seja assim enfim. Esse texto não é pra alguém especifico , mas certamente , assim como eu ,irá vir alguem em sua cabeça e você sorrirá.

Mas não há como negar que é lindo  dividir a cama com alguém que te arrepia só de pronunciar o nome, que cuida e te protege do mundo lá fora e faz dos seus braços um lugar seguro. É lindo . É apaixonante. Faz falta.

Era seu

terça-feira, 21 de janeiro de 2014




Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos… Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. … E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.

- Caio Fernando de Abreu






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